SOP afeta entre 5% a 10% mulheres no mundo em idade reprodutiva

O diagnóstico da Síndrome do Ovário Policístico (SOP) é realizado quando a paciente apresenta ao menos duas destas três características:

1-   Ciclos menstruais irregulares. A paciente com SOP não ovula todos os meses, portanto apresenta anovulação crônica, o que faz com apresente sangramentos com intervalos maiores de 45 dias.

2-   Aumento dos níveis de hormônio masculino ou sinais de hiperandrogenismo, como hirsutismo (aumento dos pelos do corpo e do rosto).

3-   Ovários de padrão micropolicístico na ultrassonografia: É importante ressaltar que se a paciente tem ovários com policísticos, não significa que tenha síndrome. Muitas pacientes ao realizarem uma ultrassonografia ficam assustadas com o resultado, mas apenas será diagnosticada portadora da síndrome se houver mais um dos 03 itens listados acima. Ultrassom em 3D de paciente com ovários micro policísticos.

A médica ginecolista Carla Iaconelli, especialista em reprodução humana, fala sobre os riscos, tratamentos e gravidez para quem tem essa doença.

1-   Quais são os riscos de ter SOP? 

O ciclo menstrual precisa ter as duas fases. A primeira onde o hormônio predominante é o estrogênio e a segunda fase, que se inicia após a ovulação, com a progesterona como hormônio principal. A anovulação (falta de ovulação) pode resultar em exposição contínua do endométrio (camada interna do útero) ao hormônio ovariano da primeira fase do ciclo (antes da ovulação), que é o estrogênio. O estrogênio pode causar aumento excessivo da espessura da camada endometrial, o que pode levar a paciente ter sangramento anormal e até aumento de chance de câncer de endométrio.

A paciente com SOP tem maior probabilidade de ter síndrome metabólica, que é caracterizada por obesidade, aumento da circunferência abdominal, aumento do colesterol, hipertensão arterial, resistência a insulina e diabetes mellitus. E também o risco de doença cardíaca.

Obesidade está presente em 50% das pacientes com SOP. Dieta, exercícios físicos e perda de peso aumentam a frequência de ciclos ovulatórios, aumentam a probabilidade de gravidez, reduzem o risco de diabetes e reduzem os níveis de hormônios masculinos.

2-   Tenho SOP e quero engravidar, como é o tratamento? 
Avaliação médica, nutricional, exercícios físicos e hábitos saudáveis são essenciais ao tratamento. Se a paciente estiver acima do peso, deve primeiro emagrecer. A perda de peso pode trazer com ela a volta dos ciclos ovulatórios e da fertilidade.

Se estiverem tentando há mais de um ano, sem resultado, é importante consultar um especialista em medicina reprodutiva para avaliar o casal. Não é recomendado tomar nenhum remédio para induzir a ovulação sem indicação e acompanhamento médico e ultrassonografico.

A indução de ovulação pode ser feita com medicamentos de uso via oral como o citrato de clomifeno. Muitas pacientes não respondem a esta medicação e podem ter que tomar gonadotrofinal, de uso injetável sub-cutaneo. Porém as gonadotrofinas estão associadas o maior risco de gestação múltipla e síndrome de hiperestímulo ovariano.

A Fertilizacão in Vitro pode ser uma opção para essas pacientes, pois há maior controle sobre o número de embriões a serem transferidos, prevenindo a ocorrência de gestação múltipla.

3-   Como é o tratamento de pacientes com SOP que não querem engravidar?
O tratamento de SOP deve ser individualizado, sempre com acompanhamento médico regular. Avaliação nutricional, exercícios físicos e hábitos saudáveis são essenciais ao tratamento.
Para pacientes que não desejam engravidar, o tratamento hormonal com pílulas anticoncepcionais são uma boa opção, reduz o hirsutismo e a acne, mantém o ciclo menstrual regular, previne câncer de endométrio, e gestação.

O Médico pode associar os anticoncepcionais com medicamentos anti-androgênicos como a espironolactona para melhorar o hirsutismo. Também podem fazer uso de procedimentos estéticos como laser para eliminação dos pelos em excesso.
Medicamentos que melhoram a resistência à insulina como a metformina, podem ajudar algumas pacientes a terem ciclos ovulatórios e talvez ajude a prevenir o desenvolvimento de diabetes e síndrome metabólica.

FONTE: PORTAL T5

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