ICSI – Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide

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A ICSI é uma técnica de alta complexidade assim como a FIV, a diferença entre elas é a maneira como o espermatozoide entra no óvulo para formar o embrião. Na ICSI seleciona-se apenas um espermatozoide para cada óvulo e realiza-se a injeção diretamente no interior do óvulo, aumentando as chances de fertilização da maioria dos óvulos.

A principal indicação é em casos de fator masculino grave, quando a quantidade de espermatozoides é muito baixa ou ausente na ejaculação (oligozoospermia/azoospermia) ou a forma é muito alterada (teratozoospermia). O procedimento auxilia o processo de fertilização através da injeção direta de um espermatozoide dentro do citoplasma do óvulo.
Os óvulos são obtidos através de punção ovariana após estímulo ovariano com medicamentos. Os óvulos são preparados para a injeção, e um espermatozoide é selecionado para ser injetado em cada óvulo.

Após ser imobilizado, o espermatozoide é aspirado, pela cauda, para dentro da pipeta. O óvulo então é fixado pela pipeta de fixação (holding), e o espermatozoide é injetado delicadamente em seu interior.

Portanto, na ICSI, o óvulo é artificialmente penetrado pelo espermatozoide, e as probabilidades de fertilização são maiores. A ICSI tem geralmente bons resultados, ou seja, a percentagem de óvulos fertilizados e a taxa de gravidez são praticamente tão elevadas quanto às de um tratamento de FIV “convencional”.

Etapas do tratamento
No que diz respeito à mulher, o tratamento de ICSI é absolutamente idêntico ao tratamento de FIV, com estimulação ovariana através de medicamentos de aplicação subcutânea (gonadotrofinas) e acompanhamento médico seriado (exames de ultrassom transvaginal e dosagens hormonais seriados), de forma a controlar os efeitos dessa estimulação e definir o melhor dia para a coleta dos ovócitos.

Cerca de 35 horas antes da coleta (ou captação) é administrada uma injeção de gonadotrofina coriônica (um tipo de hormônio produzido pela placenta) ou de análogo agonista do GnRH que provoca a maturação oocitária, vindo a permitir a sua captação por aspiração através de uma agulha especial.

A captação é realizada com a ajuda do ultrassom transvaginal, que auxilia o médico a guiar a agulha em direção aos folículos ovarianos durante o procedimento. Os oócitos assim obtidos são encaminhados ao laboratório de embriologia, anexo à sala de coleta, onde serão classificados e ambientados em um meio de cultura especial, sob condições ideais de temperatura e pressão constantes (estufas especiais). Depois de 2 a 4 horas de ambientação numa estufa especial, os oócitos estarão prontos para a fertilização.

Na ICSI, após o processamento do sêmen, o técnico de laboratório escolhe um espermatozoide viável para cada óvulo. Com auxílio de um microscópio este espermatozoide é aspirado para uma fina agulha de vidro e é injetado no interior do óvulo. O processo de injeção em si demora menos de 30 segundos, sendo repetido para todos os óvulos recolhidos que aparentemente estejam maduros e não apresentem anomalias. Menos de um minuto depois de a agulha ser retirada, o óvulo recupera a sua forma original.

Após 16-18 horas os oócitos são observados para identificar o estado de fecundação e eventual progressão até pré-embriões. Sabemos que confirmada a fertilização, teremos o zigoto. A partir desse momento inicia-se a divisão celular para a formação do que denominamos pré-embrião. Assim, 24 horas (1 dia) depois da fertilização teremos pré-embriões com 2 células, após 48 horas (2 dias) teremos 4 células, após 72 horas (3 dias) teremos 8 células e assim por diante, numa divisão celular (clivagem) em progressão geométrica.

A transferência desses pré-embriões para a cavidade uterina é então efetuada através de um fino tubo de plástico especial (cateter), após 2 a 5 dias da coleta dos oócitos. Normalmente transferimos 2 a 3 pré-embriões para a cavidade uterina. Entretanto, esse fato depende da idade da mulher e da qualidade dos pré-embriões.

O teste de gravidez (exame de sangue com dosagem de beta-hCG) é realizado de 10 a 12 dias após a transferência.

Riscos
O número de crianças concebidas através de um tratamento de ICSI já são dezenas de milhares. Os riscos da ICSI são iguais aos da FIV clássica e consistem principalmente em gestação múltipla e Síndrome do Hiperestímulo Ovariano (SHO). A gestação múltipla pode ser evitada transferindo-se apenas um embrião por vez e respeitando-se as normas instituídas em relação ao número de embriões a serem transferidos de acordo com a idade da paciente.

A SHO pode ser prevenida ao identificarmos as pacientes de risco antes de iniciar o tratamento e utilizando protocolos de indução de ovulação individualizados para essas pacientes.

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